Começando a investir…

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Começar a investir é um dos principais desafios na vida de uma pessoa. Pelos motivos mais variados, muita gente não consegue começar a investir:  falta dinheiro, existem outras prioridades, as pessoas não se preocupam com isso… enfim. Mas, digamos que você passou a se preocupar com o dinheiro e quer começar a investir. Como e por onde você deve começar?

A primeira coisa a ser definida é a resposta para uma questão muito boba: “por que você quer investir?“. Você sabe responder a essa pergunta? Se não sabe e quer começar a investir, é por aí que você deve começar. As pessoas investem pelos mais diversos motivos.  Algumas querem ter um dinheirinho no fim do ano para viajar, outras querem comprar um carro, e outras querem ficar milionárias. Muitos querem construir uma reserva financeira para a velhice. Outras, ainda, como Tio Patinhas, não querem nada disso: sentem prazer apenas em ver seu capital crescer com o acerto de suas decisões financeiras. Todos esses objetivos são dignos e merecem respeito.

“Anotei. Já sei o motivo pelo qual quero investir. E daí?”

Responder corretamente a esta questão é mais fundamental do que parece à primeira vista. Dependendo da resposta, suas decisões de investimento podem ser radicalmente diferentes. Imagine que o seu objetivo de vida é comprar um apartamento de R$ 100.000,00 daqui a cinco anos: para conseguir alcançar esse objetivo com segurança, você não pode investir em nenhum investimento muito volátil. Investimentos voláteis podem trazer grandes retornos no curto prazo, mas também pode trazer prejuízos enormes. E cinco anos não é um tempo particularmente longo, quando falamos de investimentos. Assim, você deve dar preferência a investimentos mais estáveis, como fundos de renda fixa ou o tesouro direto. Por outro lado, se seu objetivo é ficar milionário e você não se preocupa com o tempo para alcançá-lo, pode investir em ações. Se você quer ficar milionário no curto prazo, pode arriscar seu dinheiro em investimentos mais voláteis: mas aí é risco mesmo, já que você pode perder boa parte do capital sem conseguir alcançar esse objetivo.

Veja que eu não falei de investimento mais ou menos arriscado, mas de investimento mais volátil ou mais estável. Não confundir risco com volatilidade é uma das lições mais importantes para o investidor. Também já escrevi sobre isso.  Se você tem o tempo a seu favor, volatilidade não significa maior risco: pelo contrário, ela pode ser a sua maior aliada na construção de um patrimônio. Imagine um bem cujo valor seja de R$ 50,00, mas o mercado o avalia de maneira inconstante, atribuindo preços diferentes por ele todos os dias. Num dia, o preço é R$ 40,00; no outro, R$ 80,00; e, no outro, R$ 29,00. Veja bem: o valor é constante (R$ 50,00), mas ele é avaliado por um preço diferente a cada dia. E justamente porque o mercado é volátil, você tem a oportunidade de adquiri-lo por menos do que ele vale. Ele vale R$ 50,00, mas você pode comprá-lo por R$ 29,00. E, num dia de otimismo extremo, vendê-lo por R$ 80,00. Mas, sabendo que ele vale R$ 50,00, é só não comprar por um valor acima deste que você se sai bem. Se o mercado fosse estável, dificilmente você conseguiria esses retornos: no máximo, conseguiria os juros pagos no ano, que são muito inferiores ao que se pode obter no longo prazo em um mercado volátil.

“Bonito, Fábio, mas como você sabe o valor do bem? A única coisa que é divulgada pelo mercado são os preços!”

Existem vários métodos para saber isso. Eu adoro o método do desconto do valor futuro. A partir dos rendimentos esperados do ativo, você pode descobrir o quanto ele realmente vale. Para descobrir os rendimentos esperados, você vê como o ativo se comportou no passado. Uma empresa com uma administração excelente tenderá a ter lucros crescentes e com boas taxas de crescimento. Com isso, você pode ter uma noção aproximada de quanto essa empresa vale no futuro, descontando este valor futuro para o presente. Não é tão difícil: já expliquei como fazer isso aqui.

O valor de imóveis também pode ser descoberto pelo mesmo método, utilizando o aluguel como referência. Em condições econômicas normais, o aluguel de um imóvel residencial equivale, anualmente, a 6% do valor do imóvel. Se o aluguel é superior a 6%, o imóvel está com um preço abaixo do seu valor; se está abaixo desse percentual, o preço do imóvel é superior a ele.

Tendo isso em mente, você já tem meio caminho andado para tomar boas decisões financeiras. Não tem segredo: compre ativos por um preço abaixo de seu valor e os mantenha até o ponto em que seu preço é tão alto que não faz sentido permanecer com ele. Ao contrário do que as pessoas pensam, a rentabilidade de um investimento é dada no momento da compra do ativo, e não no de sua venda – até porque, muitas vezes, o único controle que se tem é no momento de compra, quando se decide adquirir ou não o ativo. Na venda, você só obtém o que o mercado oferece naquele determinado momento. Sabendo comprar bem, dificilmente se terá prejuízo. Mas saber quando vender um ativo também é importantíssimo: escrevi também um artigo sobre o tema, a partir de um livrinho fantástico de Phil. Fisher.

“Ok, Fábio, já sei diferenciar preço e valor, volatilidade e risco, e sei porque quero investir. O problema é que não tenho dinheiro para investir. Ganho muito pouco e só posso investir, R$ 50,00, no máximo R$ 100,00 por mês. Como posso melhorar minha vida financeira investindo tão pouco?”

Acredito que três coisas são relevantes para determinar se o pequeno investidor conseguirá ou não atingir seus objetivos financeiros. A primeira delas é o montante a ser investido. Quanto maior o montante investido, maior a probabilidade de que ele consiga acumular um patrimônio considerável, capaz de gerar renda suficiente para sustentar, sozinho, o investidor. Mas isso não significa dizer que só vai ter sucesso quem investir milhares de reais por mês: se você pode economizar R$ 100,00, R$ 50,00 por mês, não se preocupe. Invista esse montante e seja persistente. Esse valor, economizado todo santo mês, pode operar verdadeiros milagres. No início, é certo que os melhores investimentos não estarão à disposição do investidor.  Mas, com o tempo, será possível investir em bons títulos do tesouro direto (acessíveis para quem tem pode investir mais do que R$ 200,00 ou R$ 300,00) e em ações (por meio de fundos, no início, e depois diretamente), o que pode aumentar a rentabilidade. Outro elemento é a rentabilidade obtida. Se você economiza menos que outra pessoa, mas consegue alcançar uma taxa de rentabilidade superior, não tenha dúvidas de que são altas as chances de que consiga alcançar um patrimônio superior ao dela. Por fim, o último elemento é a regularidade. Não adianta investir um mês sim e outro não, ou aplicar apenas quando sobra dinheiro na conta. Com regularidade, pequenos montantes podem se transformar em verdadeiras fortunas.

Além disso, se você ganha pouco e quer investir, e tem um emprego instável, comece investindo em ativos menos instáveis, com o objetivo de garantir um patrimônio suficiente para que você mantenha seu padrão de vida caso perca o emprego. Economize o equivalente a pelo menos seis meses (e idealmente um ano) de salário antes de tentar vôos mais arriscados. Se seu emprego é mais estável, economize um pouco em ativos estáveis, a fim de suprir necessidades mais urgentes.

Por fim, leia bastante. Não acredite no que outras pessoas te dizem (inclusive eu): tome suas próprias decisões e seja responsável com o seu dinheiro. Se você não sabe por onde começar, dê uma olhada em alguns dos livros que sugiro.

Acredito que essas são as principais lições que qualquer pessoa deve aprender antes de começar a investir. Não se preocupe se você errar: isso vai acontecer no caminho. Mas aprenda com os erros e não tenha medo de perder dinheiro temporariamente: isso vai acontecer e, se você tiver paciência, verá que esses momentos normalmente são acompanhados de boas oportunidades.

Boa sorte!

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Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

  • Investidor <span itemscope="itemscope" itemtype="http://schema.org/Person"> <span style="display:none;"><a rel="author" name="comment_author" itemprop="name" href="" title="author">Investidor</a></span></span>

    Interessante …

    Tem tudo para iniciantes no Fórum Investidor Agressivo, veja só :
    http://forum.investidoragressivo.com/viewforum.ph

    Abraços

  • Pingback: Tempo é dinheiro: o longo prazo e os investimentos

  • Priscilla <span itemscope="itemscope" itemtype="http://schema.org/Person"> <span style="display:none;"><a rel="author" name="comment_author" itemprop="name" href="" title="author">Priscilla</a></span></span>

    Os links no corpo do texto não funcionam. Tem como mandar o link para calcular o valor do bem?

  • Hercules soares <span itemscope="itemscope" itemtype="http://schema.org/Person"> <span style="display:none;"><a rel="author" name="comment_author" itemprop="name" href="" title="author">Hercules soares</a></span></span>

    ola tudo bem? Agradeço desde já pelas dicas dadas acima eu estou precisando de uma força queria saber qual o valor inicial e minimo que devo aplicar para entrar no ramo de investidor.Se poder me ajudar obrigado!