De quanto você precisa para a sua aposentadoria?

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Com 35 anos de contribuição, se você for homem, e 30 anos de contribuição, se mulher; ou com 65 anos de idade (homem) e 60 anos de idade, caso mulher, você pode usufruir da aposentadoria pelo INSS. Mas isso é suficiente para garantir o padrão de vida que você deseja, após dezenas de anos trabalhando? A maior aposentadoria paga pelo sistema de previdência pública, hoje, gira em torno de R$ 3.500,00 – isto, se você contribuir pelo teto, pagando o correspondente à maior contribuição previdenciária possível. É o suficiente para manter seu padrão de vida?

1. Você realmente quer que sua aposentadoria dependa do INSS?

Antes de responder a esta pergunta, lembre-se de que o nosso sistema previdenciário não tem condições de se sustentar por muito tempo, com o aumento do número de aposentados e a diminuição da população economicamente ativa. Nosso país está envelhecendo, e isto significa que haverá mais gente recebendo benefícios, e menos gente contribuindo para financiar o sistema. Como resolver isso? Provavelmente, por muito tempo o governo alterará as regras do sistema, aumentando a idade de aposentadoria, o tempo de contribuição ou aumentando a alíquota da contribuição previdenciária.

“Fábio, eu tenho DIREITO ADQUIRIDO a minha aposentadoria com base nas regras do jogo! Até parece que você não estudou direito, homem!”

Tem certeza? Só tem direito adquirido se você já satisfez as regras para a concessão de aposentadoria. Se você já tem, hoje, mais de 65 anos de idade (homem) ou 60 anos (mulher), com pelo menos 180 contribuições, ou 35 anos (homem) ou 30 anos (mulher de contribuição), você tem direito adquirido mesmo. Já pode se aposentar quando quiser, e dar uma banana pro governo, se ele resolver mudar o sistema de aposentadoria. Mas, se você ainda não satisfez os requisitos de aposentadoria, qualquer mudança das regras pode afetar sua situação.

Você não pode contar com a previdência social se quiser ter uma vida razoável na velhice. Mesmo que você considere R$ 3.500,00 hoje (talvez adicionados a mais R$ 3.500,00 de seu cônjuge) um bom dinheiro, suficiente para manter sua família, lembre-se de que o governo pode mudar as regras do jogo a qualquer instante, inclusive reajustando o benefício a taxas tão pequenas que a inflação comerá o seu valor ao longo dos anos. Daqui a 30 anos, R$ 3.500,00 valerá muito, muito menos do que hoje.

2. Calculando as economias necessárias para uma aposentadoria decente

Para não depender do INSS a fim de manter um bom padrão de vida, você precisa saber de quanto precisará ter para garanti-lo. E terá que levar em consideração que a inflação poderá comer boa parte de seus rendimentos no longo prazo. Portanto, o ideal é estabelecer uma meta de renda que, em termos de hoje, reflita o valor suficiente para manter o estilo de vida que você deseja.

Além disso, o montante tem que ser suficiente para manter seu padrão de vida por vários anos a fio. Já pensou se o dinheiro acabar quando você estiver com 85 anos, ainda vivo?? Para evitar que isso aconteça, o montante acumulado deve ser suficiente para garantir a renda suficiente para garantir o padrão de vida desejado apenas com os rendimentos do capital economizado. Ou seja, você jamais poderia tirar um único centavo do capital acumulado; poderia apenas retirar o valor desejado dos rendimentos do capital e, de preferência, ainda deveria sobrar o suficiente para capitalizar ainda mais juros, garantindo um patrimônio sustentável.

Mas quanto seria necessário para obter esse objetivo? Vamos fazer um exercício matemático: suponhamos que você precisaria de R$ 10.000,00, hoje, para garantir o estilo de vida que você quer ter quando se aposentar, para não precisar dos favores do filho bacana que você tem (ou pretende ter). Digamos que você tem 25 anos e pretende se aposentar aos 60 – portanto, tem 35 anos para alcançar seu objetivo.

Quanto você precisaria economizar para chegar lá? Tudo depende de uma série de fatores, que apenas podemos supor. Por exemplo, somente podemos estimar a inflação do período. Qualquer número que eu disser é uma hipótese, um chute mais ou menos bem calibrado. Também temos que contar que, aos poucos, você vai conseguir aumentos salariais e que, portanto, se você for disciplinado, poderá economizar um pouco mais. Além disso, a rentabilidade obtida ao longo dos anos também somente pode ser estimada. Mas… apesar das incertezas, é melhor tentar projetar cenários e alterar as variáveis do que contar apenas com a sorte.

Para alcançar os R$ 10.000,00 mensais (em valor real) na aposentadoria sem depender de ninguém, o que você precisaria fazer? Vamos supor algumas condições razoáveis. A inflação média do modelo assumido é de 5% – é claro que em alguns anos a inflação será maior ou menor, mas 5% parece razoável. Suponho, além disso, que você conseguiria uma rentabilidade média de 10% ao ano – algo plausível para um investidor diversificado, que também adquira ativos mais rentáveis para o longo prazo. Por fim, vamos supor que, em média, a sua capacidade de economizar aumente, nominalmente, 2% ao ano. Parecem premissas razoáveis?

Pois, para alcançar o resultado pretendido, seria necessário que o investidor economizasse R$ 1.850,00 por mês (e incrementasse 2% a este valor ao longo de sua carreira). Vamos ver os resultados do modelo:

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Como você pode observar, ao final dos 35 anos, nosso diligente investidor teria um patrimônio nominal de quase R$ 8 milhões, que teriam um valor real de R$ 2.600.000 hoje, e poderia contar com uma renda mensal próxima a R$ 70.000,00, que equivaleriam ao poder de compra de R$ 10.341,44 hoje. Mas, para que o patrimônio continuasse a evoluir, seria necessário retirar menos do que os R$ 10.000,00 para garantir o real poder de compra do patrimônio. Afinal, a inflação continuaria à espreita mesmo depois da aposentadoria. Para ter a possibilidade de usufruir de R$ 10.000,00 com segurança, seria necessário economizar um pouco mais.

Para não depender da previdência, só com algum sacrifício, não é mesmo?

E você, sabe de quanto precisa para alcançar uma aposentadoria decente? Calcule com a planilha que elaborei especialmente para nossos leitores e que você pode baixar clicando aqui!

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Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

  • http://www.polaticus.com.br Jeferson da Luz

    Parabéns Fábio

    Muito legal esta sua análise. Realmente, tem que fazer um planejamento bem concreto para se atingir objetivos para a aposentadoria…

    Abraço

  • http://www.valoresreais.com Guilherme

    Esse é um dos grande méritos do blog O Pequeno Investidor: a habilidade de mostrar, com números, as infinitas possibilidades para o investidor pessoa física conquistar seus sonhos, com disciplina, prudência e inteligência, e sem depender de fatores externos. Parabéns, Fábio!

    Essa planilha mostra que é perfeitamente factível construir a sonhada independência financeira de modo bem planejado!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

  • http://www.arake.com.br Henrique Arake

    Portela, como você fez o cálculo de desconto a valor presente?

    • Fábio Portela

      Dá uma olhada na planilha em Excel… basicamente, descontei progressivamente a inflação ao longo dos anos.

  • Clóvis

    Fábio,

    Você já se perguntou o que vai acontecer com o patrimônio depois que você falecer?
    Sou jovem, posso mudar várias vezes de opinião, mas a opinião atual é de não deixar muita herança em dinheiro a(os) meu(s) filho(s). Acredito que com a educação que vou lhes dar eles possam formar seu próprio patrimônio.
    O que você acha sobre utilizar no cálculo retiradas mensais do montante principal, além dos juros, e partir da premissa que vou viver até uns 110, 120 anos (pra garantir)?
    Desta forma não vou poder me aposentar antes, ou economizar menos!

    Quero parabenizar pelo blog, é um dos poucos que ficam vazios no meu leitor de RSS, hehehe
    Abraço

    • Fábio Portela

      Clóvis, eu penso diferente de ti. Se eu puder deixar um bom patrimônio para meus filhos, será ótimo, porque darei a eles certas escolhas que eu não pude, por precisar trabalhar para conseguir o padrão de vida que desejo. Eu teria feito escolhas diferentes se não precisasse trabalhar, e escolhas que também seriam muito produtivas. Não é uma reclamação contra meus pais, que sempre fizeram tudo o que puderam para me dar a chance de fazer minhas escolhas também, e só tenho a agradecer a eles! Mas quero dar a meus filhos a possibilidade de fazer essas escolhas, sem se preocupar com dinheiro – que, afinal, é apenas dinheiro! O que importa é o que podemos fazer com eles.

      Quanto a sua proposta, ela também é viável… mas vai que você vive até os 140!! rs…

      Abraços,
      Fábio Portela

      • Clóvis

        Obrigado pela resposta Fábio!

        É, a variável “filho” pode mudar muita coisa até lá!
        Queria mesmo saber a sua opinião sobre isto.

        Abraço

        • ROBERTO MAZZOLA

          Caro amigo Clóvis … gostei de sua observação sobre os cálculos do Fábio e aproveito para parabenizar o Fabio … excelente matéria ..porém que você já viu que existe uma variável que muda a maioria das nossas escolhas … quando eu era solteiro e independente sonhava em gerar o maior patrimônio possível e usufrui o máximo que puder dele … após a chegada dos filhos percebemos que nossas vidas tomaram outros destinos rssr .. meu comentário é apenas para descontrair sobre um assunto que sempre nos deixa com a “pulga atrás da orelha” … o que fazer ? rsrs .. abraços a todos ..

  • Bruno César

    Parabéns pelo ótimo post Fábio e a planilha foi uma idéia genial, pois agora posso calcular de acordo com a minha economia mensal.

  • http://financasforever.blogspot.com EvertonRic

    Caro Fabio, estou passando aqui pra te dizer que esta semana criei um blog para falar sobre histórias de investidores, economia em geral, procuro não dizer sempre as mesma coisas, vou contar histórias que ouvi , ou presencie, e/ou li por ai, por este mundão a fora, ficaria muito orgulhoso se vc pudesse nos fazer uma visita, já tenho a primeira história publicada, é uma história real, de um Irlandês, que conta a sua própria história com muito ou pouco orgulho, falando de uma parte da história de seu país.
    .
    Você que gosta do assunto “bolha imobiliaria”, vai adorar o txto original, e sei disso porque acompanho regularmente seu blog/site, e assino o feed.
    Ah , e tbem coloquei seu precioso blog/site, lá na coluna de blogs que leio e recomendo.
    segue o link:
    http://www.financasforever.blogspot.com
    .
    Grato,
    Evertonric.

    • Fábio Portela

      Obrigado pela indicação, Evertonric!

      A propósito, se você quiser divulgar seu trabalho por aqui, fique à vontade para produzir um texto e me mandar por e-mail, para avaliação!

      Abraços,
      Fábio

  • Leonardo Goncalves

    Fábio,
    Parabéns pelo blog.
    Com relação a este post, duas observações: a primeira, etâ saudade da previdência complementar por Benefícios Diferidos (não sei como o Governo consentiu com o seu fim, mistério…)
    Já a segunda, que obtive de um auditor da previdência, faz um alerta: a contribuição para o INSS visando o teto é uma das maiores ilusões já inventadas – a explicação é trivial: o Governo vem, há alguns anos, ajustando simultaneamente as aposentadorias por 2 índices – um índice maior para quem ganha 1 salário mínimo e um menor para o restante dos aposentados. Resumo da ópera, está havendo um “achatamento” da tabela (ou da diferença entre eles) e a tendência é que no futuro o valor do teto se aproxime do salário mínimo. (não sei se já ouviu de algum aposentado: quando me aposentei ganhava X salários mínimos, e hoje ganho X/2)

    • Fábio Portela

      É verdade, Leonardo. São maneiras de o governo ir beliscando uma parcela do dinheiro que muita gente esperava receber. Meu pai mesmo, contava que, quando começou a trabalhar, pagava sobre 40 salários mínimos, para receber 40 salários mínimos; depois, continuou a pagar sobre 40, para receber 30 e, depois, para receber 20. Se isso não é roubo institucionalizado, eu não sei o que é…

  • http://investidordefensivo.blogspot.com/ Investidor Defensivo

    Fábio,

    A coluna F está com valor fixo de 1,02 a partir da célula F6.
    A variável “Taxa de aumento da economia” não irá funcionar corretamente.

    Tenho uma planilha mês a mês ao invés de anual.Sugestão.Experimente fazer uma assim também. Acredito que irá dar uma diferença tremenda. Para menos.rs
    Um aporte que vc coloca em dezembro, vale menos que um em janeiro.
    Dezembro não recebeu um rendimento de 10% no ano. Apenas o mês de janeiro.

    Abs!

    • Fábio Portela

      Obrigado! Já corrigi o problema da planilha…

      Quanto à planilha mês a mês, você está certo, mas preferi fazer uma anual apenas para ilustrar o raciocínio!!

      Abraços,
      Fábio

  • http://www.eliteazulebranca.com.br Pedro Nora

    E ainda tem gente que só pensa na aposentadoria depois de aposentado. Tem que aproveitar o tempo enquanto há tempo!

    Grande Post Fábio! Já pensastes em abandonar o Direito? hehe

    Abraços

    • Fábio Portela

      Pedro,

      Só abandono o direito se conseguir me firmar no mercado de planejamento financeiro, e ainda falta muito! rs

      Abraços,
      Fábio

  • Leandro

    Fábio,
    Estava navegando pelo site do Tesouro Direto e parece que o Governo resolveu lançar alguns títulos vinculados ao IGPM. Acha que vale a pena para os prazos lançados? Esses títulos também podem ser revendidos antes da data do resgate?
    Obrigado.
    Leandro.

    • Fábio Portela

      Leandro,

      Esses títulos vinculados ao IGP-M são antigos, lançados há vários anos. Eles só constavam do site do Tesouro Direto porque ontem era dia de venda dos títulos – ou seja, quem os tem, poderia vendê-los de volta para o governo, mas não comprar novamente.

      Abraços,
      Fábio

      • Leandro

        Obrigado pelo esclarecimento!

  • http://www.efetividade.blog.br Jônatas

    Olá Fábio,

    Que texto fantástico. Didático ao extremo, parabéns!
    Tomara que as pessoas leiam e tomem a atitude necessária para investir.

    Abraço!

    • Fábio Portela

      Obrigado, Jônatas! O propósito do blog é justamente explicar o conteúdo de maneira didática, facilitando o aprendizado.

  • http://www.tudoemfoco.com.br Rafaela – Tudo em Foco

    O texto retrata bem a realidade da Previdência Social brasileira. E se alguém quiser garantir a aposentadoria no futuro, é bom que se invista em outros setores. A explicação foi ótima, mas dá um certo desespero saber o quanto se precisa economizar para ter uma vida tranquila. Mas é um sacrifício necessário, que exige disciplina, acima de tudo.

    • Fábio Portela

      Com certeza, Rafaela! Mas, dependendo de como você invista, as coisas podem ficar mais fáceis. Eu coloquei uma rentabilidade razoável quando se pensa em renda fixa… mas, se você investir em ações, é possível pensar em uma rentabilidade média mais elevada que os 10% nominais…

  • Pingback: Educação financeira: um giro temático pelos blogs. Edição de hoje: aposentadoria « Valores Reais

  • Felipe Ferreira

    Obrigado pelo post, ajudou bastante. Mas fiquei com uma dúvida ao analisar a planilha:

    A economia de cada ano na planilha está sendo adicionado tanto a coluna de patrimônio nominal quanto a de patrimônio real.

    Esta economia não deveria ser reavaliada em termos de valor real também antes de somada ao patrimônio real?
    Acho que o mais simples seria derivar o valor real sempre a partir do valor nominal.

  • Edgar Viana

    Boa noite.
    Seu raciocínio leva em conta que não haverá aposentadoria pelo INSS.
    Entendo que devemos contar sim com esta opção e em paralelo planejar uma “previdência privada” que dê um rendimento de mais R$ 6.500,00 para completar os R$ 10.000,00 por mês. Quando falo em previdência privada falo em poupança e não nos fundos tradicionais.
    Abraços,

  • daniel

    Muito Bom ,,, Gostaria de entender melhor os termos naminal e real com relaçao a patrimonio e renda ,,,

  • Fabiano Pitzer

    Fábio,
    Parabéns! Estava revendo este seu artigo e “brincando” com a planilha. Vejam que interessante, 1% conseguido a mais na rentabilidade anual, vai proporcionar uma renda 50% maior (R$ 15.023,97) no final dos 35 anos.

  • DANILO CARDOSO

    BOA NOITE FABIO, TENHO 30 ANOS SOU AUTONOMO TENHO UMA RENDA DE 4.000 POR MÊS, PAGUEI A PRIMEIRA “PARCELA” DO GPS EM ABRIL NO VALOR DE 600,00 E PRETENDO PAGAR ESSE VALOR ASSIDUAMENTE DURANTE OS 35 ANOS DE CONTRIBUIÇÃO SENDO ASSIM PAGANDO ESSE VALOR COM QUAL VALOR VOU RECEBER APÓS CONTRIBUIR PELOS 35 ANOS.

  • Roberto José Vieira Mota

    Gostaria de receber todos as novidades.

    • Fábio Portela

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