Aposentadoria: como planejar sua renda vitalícia?

Como o leitor sabe, um dos grandes parceiros de “O pequeno investidor” é o Clube do Pai Rico. Semana passada, foi publicado um artigo interessantíssimo a respeito do planejamento da aposentadoria. Nele, o autor apresenta as vantagens e as dificuldades de um planejamento consciente para alcançar suas metas de alcançar tranquilidade para tocar a vida na velhice. Vale a pena ler!

Não importa quão grandes sejam os seus planos, todos têm uma meta final: aposentar-se com tranquilidade e conforto. Infelizmente nem todos conseguem … na realidade uma pequena parcela da população conquista o “grande prêmio”. Mas saiba que é possível que você, por sua própria “conta e risco”, é capaz de cuidar de tudo sozinho, você é capaz de acumular patrimônio suficiente para gerar uma renda vitalícia que te proporcionará o tão desejado descanso.

Mas antes de qualquer coisa você precisa tomar uma decisão, quer correr mais ou menos riscos ? Quer atingir o capital necessário um pouco mais rápido ? Não, isso não tem a ver com o tipo de investimento escolhido – afinal esse não será o foco do texto, mas sim com o tipo de aposentadoria que você quer.

Não entendeu ? Você quer atingir um montante que te proporcione “x” anos de aposentadoria ou deseja atingir um montante que te gere uma renda “eterna” ? A pergunta pode parecer meio boba, mas se você leu o artigo “Você conhece Jorge Guinle ?” sabe exatamente sobre o que estou falando.

Mais rápido, porém mais arriscado

Se você seguir o “modelo” de aposentadoria adotado por Jorge Guinle – tá, sei que não foi plano de aposentadoria, foi a vida inteira … – que é atingir um patrimônio “x” que me permitirá obter uma renda “y” por “z” meses. Você irá literalmente usar o dinheiro acumulado até a última gota. Mas já sabemos o que pode dar errado … não é mesmo ? Se você calcular errado por quantos anos permanecerá vivo após se aposentar, correrá o risco de passar por muitas necessidades nos anos “extras”.

Desta forma você poderá se aposentar mais cedo, ou reservar uma fatia menor de sua renda para sua aposentadoria, ou ainda acumular capital por um período mais curto, mas correrá o risco de ficar sem dinheiro …

Para este “modelo” você vai acumulando capital e rentabilizando-o por determinado período de tempo, até atingir um certo valor que dividido pelos tempo que você escolheu no início de seus planos – contando com a valorização do capital no período entre aposentadoria e morte. Você usará parte do capital e parte do rendimento. Com isso, aos poucos, o bolo encolherá, até chegar o momento em que acabará por completo.

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Tem como vantagens os itens apresentados anteriormente, mas não sei se justifica o risco …

O seguro morreu de velho …

Mas como devemos sempre priorizar a nossa segurança, especialmente quanto o assunto é aposentadoria, o método mais indicado é o “acumular um determinado capital que renda um determinado valor mensal e que esse valor mensal seja suficiente para cobrir meus gastos”. Um pouco mais demorado … afinal o capital a ser acumulado será um pouco maior do que o método anterior, porém consumindo apenas a parte “rendimento” do negócio, você manterá o capital principal intacto. Capital esse que renderá “o mesmo valor” no mês seguinte, e no seguinte, e no seguinte, e no seguinte … resumindo, você terá uma renda verdadeiramente vitalícia, que durará para todo o sempre, existindo – e rendendo – até mesmo após a sua morte.

Qual dos dois planos mais te agradou ? ;)

Acredite, o primeiro plano é usado por muita gente, na verdade muitos planos de previdência privada, que garantem um determinado rendimento mensal ao aposentado, usam essa estratégia. Afinal têm que despertar o interesse do futuro cliente de alguma maneira, e comparando com o plano “vitalícia de verdade”, é mais rápido, ou precisa render menos, ou menores depósitos.

O meu plano é o segundo, determinado capital que me renderá determinado valor mensal que será suficiente para cobrir meus gastos. Na verdade será maior que os meus gastos, dessa forma sobrará dinheiro que será reaplicado ao bolo. :)

No livro “Conquiste sua Liberdade Financeira” você poderá encontrar os cálculos e fórmulas necessárias para encontrar:

- Qual o capital necessário a ser atingido para obter a renda vitalícia;

- Qual deverá ser o valor de suas aplicações mensais para atingir o capital necessário;

- Ou então quantos anos precisará “usar” para acumular o capital tendo um valor mensal de depósitos limitado.

Exemplo ?

Um exemplo bem simples, tirado do próprio livro. Digamos que você tenha 25 anos, e que deseja se aposentar aos 65. Usa como “data limite” a idade de 100 anos. (deseja que o dinheiro dure até completar essa idade)

Digamos ainda que você tenha determinado que sua renda mensal será de R$ 8.000,00 e que consegue obter um rendimento médio real de 0,8%.

Aqui é importante uma pausa. Notaram que a taxa de juros a ser considerada é a real ? (descontando-se a inflação)

Se não considerarmos a inflação até atingiremos os números determinados no plano, porém o poder de compra desse valor será bem diferente do que ele tinha quando o plano foi feito … Para entender um pouco melhor o peso da inflação em seus investimentos leia: O peso da inflação sobre os investimentos.

Voltando aos cálculos, usando as fórmulas e tabelas existentes no livro, chegamos ao valor a ser acumulado:R$ 964.797,60. Com isso você ganhará R$ 8.000,00 durante 35 anos. (que foi o tempo determinado em nosso planejamento)

Depois disso, acabou.

Agora … digamos que você tenha atingido os mesmos R$ 964.797,60, só que ao invés de R$ 8.000,00 deseja usar somente os rendimentos que esse capital te proporcionar. (usando os mesmos 0,8% de juro real, é claro)

Sabe qual é o valor ? R$ 7.718,38

Sim … dá para acreditar ? Se você gastar pouco menos de R$ 300,00 mensais a menos terá uma renda vitalícia, verdadeiramente vitalícia. Uma diferença mínima que te permitirá usufruir do capital acumulado indefinitivamente. :)

Agora me diga … qual dos dois planos mais te agradou ? ;)

 

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Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

  • Erika

    Sinto que esse post foi escrito pra mim. Obrigada pelas dicas. Minhas conversas com você são sempre úteis!!!!

  • Helio Debortole Jr

    Entendo os cálculos, mas a situação talvez nao tenha sido contextualizada da forma correta: se hoje tenho 25 e vou guardar dinheiro até os 65 são 40 anos.
    Qual tipo de aplicação vc consegue “prever” que renda EM MÉDIA 0,8% durante 40 anos???
    Ainda que consiga (já que estamos considerando rendimento médio), com este cenário macroeconômico que vivemos hoje, vc acredita mesmo que uma aplicação conservadora esteja rendendo 0,8% ao mês em 2051???

  • wagner

    A respeito da indagação do Helio.
    Ninguém pode garantir nada em investimento concorda! todos tem o seu grau de risco.certo!
    A rentabilidade ao longo do tempo têm impotância e não,desde que ela exista.
    Agora se eu só gastar e não investir os 40 anos vão passar.concorda!No final a soma vai ser 0.
    Eu prefiro pagar pra ver independente do cenário.
    Se o mundo acabar ai que não faz diferença mesmo.

    abraço

  • http://www.clubedopairico.com.br Zé da Silva

    Helio, te convido a dar uma olhada nos posts que seguiram a publicação desse. =)

    Tentei detalhar tudo o que foi dito.

    Abraços !

  • Sidney

    Acho que o único problema e conseguir 0.8% mensal acima da inflação. Especialmente por este longo período de tempo 35 anos. Tem que ser alguém bem ativo e certamente tem que aplicar em ações. Tesouro direto nAo tem nada hoje que pague isso.

  • Sérgio

    Interessante este cálculo, mas conseguir 0,8% acima da inflação não é tão simples assim, ainda mais no longo prazo, pois a taxa de juros tem a tendência de abaixar.

    • Fábio Portela

      Por isso, é importante investir uma parte do seu patrimônio em ações!

  • http://www.bolsafinanceira.com Felipe Medeiros

    Caramba Fábio! Na hora que vi os números até desconfiei, mas é isso mesmo! Muito interessante esse cálculo, foi a primeira vez que vi essa comparação! hehehe
    Parabéns! Muito importante também pra perceber que mesmo com o “bolo grande” ainda deveremos tomar cuidado com os gastos exagerados, pois se não tomar o suor de uma vida se vai rapidinho! heheh…

    Grande abraço!

  • Pingback: O pequeno investidor » Os melhores posts de 2011

  • luciano

    gostaria que não só os funcionarios publicos fossem assim mais todos os orgãos politicos principalmente onde a farra da aposentadoria impera onde se acumula aposentadoria mesmo estando em atividade politica uma vergonha esse plano só seria bom se fosse para todos ai seria perfeito para popuplação brasileiro que infelizmente está sendo enganada e passada para trás por nossos gestores a muito tempo