O melhor investimento de 2012

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Mais um ano começou e, como de praxe, vários leitores me perguntam por e-mail: qual o melhor investimento para o ano que se inicia? No início de 2011, decidi me arriscar a responder essa pergunta, mas talvez minha resposta não tenha agradado a todos os leitores. Naquela oportunidade, fui categórico: o melhor investimento do ano é aprender a administrar melhor o risco do seu patrimônio. Ninguém sabe qual será o melhor investimento do ano. Pode ser as ações; há empresas tão surradas pelo pessimismo que não seria uma surpresa uma reviravolta no mercado. Pode ser que seja a renda fixa – afinal, os títulos do tesouro direto ainda oferecem taxas atraentes de retorno. Pode ser ainda que os imóveis continuem a se valorizar, apesar de já terem tido valorização excessiva nos últimos anos. Muitos ainda apostam no ouro, outro ativo que se valorizou bastante nos últimos tempos.

Antes de começar: qual FOI o melhor investimento de 2011?

Mas qual a minha opinião sobre o melhor investimento de 2012? No artigo do ano passado, tentei trabalhar a ideia de que o melhor investimento era a correta administração do risco. E ofereci algumas maneiras de fazer isso: a) diversificação; b) aproveitar as barganhas do mercado; c) economizar mais; e d) conhecer melhor seus investimentos. Minha opinião continua praticamente a mesma: fazendo isso, provavelmente o pequeno investidor terminará o ano melhor do que o começou. Mas antes de ir ao que interessa, vamos repensar o sentido da questão: ao invés de perguntar qual será o melhor investimento de 2011, devemos nos perguntar qual foi o melhor investimento de 2011?

Na mídia, foram várias as reportagens elencando o investimento em ações como o pior do ano. O Ibovespa terminou o ano como o pior investimento (queda de -18,11%). Os melhores investimentos, por sua vez, foram o Ouro (+15,85%) e o Dólar (+13,61%). A tabela abaixo, extraída de matéria do Infomoney, ilustra como se saíram os principais investimentos:

melhor investimento

Mas essa tabela é enganosa. Ela trata os investimentos em ações como se fossem apenas o “Ibovespa”. Mas nem todo mundo que investe em ações o faz por meio de um fundo que replica o Ibovespa; ele é apenas representativo da média de mercado. Se propuséssemos uma tabela alternativa, que espelhasse o investimento em ações de determinadas empresas, o resultado poderia ter sido bem diferente: Ambev, Cielo, Redecard, Le Lis Blanc, Hering, Eletropaulo, entre várias outras ações, tiveram performance no mercado bastante superior à do Ibovespa. Quem investiu apenas em ações do Índice de Energia Elétrica, por exemplo, teve ganhos na casa dos 20%. Claro, agora é fácil dizer que essas ações foram excelentes investimentos em 2011; difícil é prever quais se destacarão nos próximos 12 meses. É evidente que várias outras ações apresentaram resultados pífios, com quedas superiores a 40%, como as siderúrgicas. Mas ter isso em mente serve para colocar em perspectiva o tão alardeado fracasso do mercado de ações em 2011.

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Além disso, a tabela trata os investimentos em CDB e CDI como se tivessem apresentado a mesma rentabilidade, independentemente de taxas e impostos atrelados a eles. E na tabela também não constam os títulos do Tesouro Direto, que tiveram boa rentabilidade em 2011 – alguns deles, como a NTN-F com vencimento em 2021, ou a NTN-B Principal com vencimento em 2015, apresentaram rentabilidade em torno de 16% ao ano – bem próximo do ouro, por exemplo.

Assim, confiar cegamente nesses índices de rentabilidade é complicado. Nem sempre são úteis para realmente verificar qual foi o melhor investimento do ano, e não têm utilidade preditiva nenhuma para estabelecer qual será o melhor investimento do ano seguinte. O jeito é fazer o dever de casa…

Qual será o melhor investimento para 2012?

Como já disse em post recente, a tarefa de prever o futuro deveria ser atribuída a adivinhos, não a analistas de mercado. A analistas deveria caber o papel de analisar os fundamentos dos investimentos atuais, e não prever o patamar do mercado em determinado período. É perfeitamente possível, por meio de uma análise, estabelecer que um ativo está caro ou barato, por exemplo; mas é impossível saber qual o preço dele no mercado em 2013 ou em 2014. A quantidade de variáveis presentes é tão grande que é praticamente impossível estabelecer previsões precisas.

De certo, temos apenas um cenário de incertezas. A crise europeia ainda está no horizonte, com a dívida elevadíssima na zona do Euro. A atividade econômica no Brasil está diminuindo o ritmo. A economia nos EUA também está teimando em não entrar nos trilhos, e logo é possível que o problema da elevação do teto da dívida volte a aparecer no horizonte. Na China, também há sinais de certo arrefecimento da economia, além de um iminente estouro de sua bolha imobiliária - que pode trazer consigo uma recessão naquele país, em um cenário mais drástico. Por outro lado, o país dá sinais de que, para estimular a economia, irá baixar a taxa de juros, o que pode afetar drasticamente a rentabilidade da renda fixa e estimular a rentabilidade no mercado de ações: com juros mais baixos, o custo de oportunidade de investir em ações diminui, providenciando um impulso para esse mercado. Juros menores também podem impulsionar temporariamente a rentabilidade de certos títulos do Tesouro Direto de quem já investiu neles – embora diminua a de quem irá começar a investir.

Ou seja… os sinais são contraditórios. De um lado, a queda nos juros favorece o mercado de ações e a rentabilidade dos títulos do Tesouro Direto. Também favorece, em tese, a rentabilidade de quem investiu no mercado imobiliário, uma vez que leva também à diminuição dos juros dos financiamentos. Por outro lado, os problemas da economia mundial podem afetar a economia brasileira, o que pode levar a um efeito contrário no mercado de ações, já que o lucro das empresas pode sofrer bastante ao longo do ano caso esse cenário se confirme. Esse cenário também pode afetar o mercado imobiliário, já que as incorporadoras, nesse cenário de incerteza, podem efetuar menos lançamentos – o que pode levar a maior desemprego no setor, que foi um dos grandes propulsores da criação de empregos na economia brasileira. Uma crise no setor pode levar a problemas em empresas do setor de consumo, o que afetaria também a bolsa de valores. Nesse cenário de incerteza, há quem aposte no ouro também para 2012. Mas esse ativo também se valorizou bastante nos últimos tempos, havendo quem pense que também haja uma bolha no mercado desse ativo.

E ainda pode ser que nada aconteça. A incerteza é grande, mas também existe a possibilidade de o cenário não ser tão apocalíptico quanto parece. De minha parte, não arrisco nada: apenas adotar aqueles bons e vehos cuidados que sugeri no início do ano passado: diversifique seus ativos de maneira inteligente; aproveite as barganhas do mercado; economize mais; e conheça seus investimentos. Fazendo isso, tenho certeza de que ocaminho para a sua independência financeira estará bem pavimentado.

De resto, desejo a todos os leitores muito sucesso em 2012!

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Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

  • Jonas

    Fabio

    vc poderia discorrer um pouco mais sobre o que faz a diferença entre uma coisa e outra:

    “É perfeitamente possível, por meio de uma análise, estabelecer que um ativo está caro ou barato, por exemplo; mas é impossível saber qual o preço dele no mercado em 2013 ou em 2014.”

    • Fábio Portela

      Claro, Jonas! A ideia é que podemos, analisando os balanços e elementos macroeconômicos (embora eu privilegie os primeiros aos segundos) verificar se uma ação está barata ou cara. Temos indicadores (P/L, P/VPA, crescimento dos lucros, dividend yield, histórico da companhia, força da marca, etc.) que permitem tal análise. Mas não há nenhum elemento que indique, com precisão, qual é o valor que o mercado atribuirá ao ativo no futuro. Se está barato, pode ficar mais barato amanhã ou depois, ou em 2014. Mas, se a empresa mantiver suas perspectivas, é muito provável que daqui a 10 ou 20 anos o valor de suas ações terá subido muito frente aos preços atuais. É a ideia de Graham: as ações, no curto prazo, são como uma máquina de votação, que varia a cada instante; no longo prazo, são como uma balança, que registra o peso da empresa.

    • Aguida

      Mas se vc tivesse 250mil reais, vc investiria como?

  • Jonas

    bem, confesso que é muito complexo entender esse seu conceito do que seja “barato”.

    porque se o balanço de uma empresa demonstra com clareza pra mim que ela está “barata” hoje, obviamente o mercado como um todo também consegue ver com a mesma clareza. Sendo assim, as forças do mercado do presente sempre acabarão por tornar o seu preço naquele instante “justo”.

    desta maneira, pra que eu considere algo “barato” é porque usando das suas mesmas palavras: “acredito que as empresa mantenha suas perspectivas”, ou seja, eu estarei projetando crescimento pra empresa: um preço mais “caro” pra ela no futuro. É claro, que não precisa ser um valor específico, mas pelo menos um futuro target mínimo de valor se faz necessário imaginar pra que eu me convença que algo está “barato” ou “caro” hoje.

    portanto, acredito que se é possível estabelecer se algo está caro ou barato hoje, por consequencia, é porque também é possível projetar no futuro o seu possível preço.

    claro… isso é só a minha humilde opinião.

    • http://dimarcinho.blogs.advfn.com dimarcinho

      Jonas,

      esse seu raciocínio só faria sentido se o mercado fosse perfeito, mas o mercado é totalmente irracional. Quando estamos em tempos de crise, o pessimismo toma conta geral. Não importa se uma empresa vem dando lucros e crescendo 20%aa, parece que a maioria não vê isso. Mas aqueles que estudam Análise Fundamentalista sabem identificar quando uma ação está cara ou barata, e não é tão complicado.
      Vou lhe dar um exemplo: pouco antes da crise de 2008, a Petrobras (PETR4) estava com valor de mercado de 400bi e com um lucro médio de 28bi; hoje o valor de mercado é bem menor, equivalente a 290bi, no entanto o lucro já está na casa dos 38bi;

      Isso, que em 2008 não havia nada de pré-sal e agora em 2011 os poços do pré-sal começaram a aparecer;

      Ou seja, o pré-sal tá chegando, o lucro mesmo assim já aumentou muito de lá pra cá (36% em 2 anos pruma empresa desse porte…)e mesmo assim, o valor de mercado dela é inferior ao que era… faz sentido pra vc? Pra mim não!

      Essas informações estão disponíveis por aí, mas o pessimismo faz com as pessoas não comprem, só comprem no oba-oba, qdo as ações já estão bem caras, daí vem a crise e os que não estudam são sempre os que se ferram…

      Enfim, estou com o Fábio. A melhor recomendação não só para 2012, mas como para a vida inteira, é estudar bem seus investimentos para saber identificar as janelas de entrada e saída que o mesmo sempre lhe oferece…

      Grande abraço!

      • Jonas

        Dimarcinho

        O raciocínio não é meu, é do Fábio. Eu só queria entender a lógica de que se é “possível” avaliar se algo é caro ou barato hoje….. Então como isso se fará já que é “impossível” fazer uma projeção de um valor futuro?

        Ressalvas:

        a) em 2008 as descobertas do pré-sal já eram de conhecimento público; b) se serão lucrativos ainda não se sabe, isso depende não só de diversas variáveis operacionais e de custos, mas principalmente do preço internacional do oil que não é fixo e nem previsível; c) o maior acionista da petro é o governo e se ele decidir por um longo período que sua atividade fim é “ servir ao povo” / “subsidiar a economia” e não o lucro, um abraço aos minoritários e seu valor de mercado e dividendos; d) se o mercado é irracional (até concordo) então a conclusão lógica é que o mercado NUNCA vai demonstrar “sentidos óbvios” tanto pra mim, assim como pra você; e) e se aceitarmos que o mercado pode ser irracional por não seguir nenhum padrão conhecido, já em outro sentido mais imediato ele não é burro: o “hoje” é sempre rapidamente precificado pelo valor justo por meio das arbitragens internacionais entre centenas de mercados, ou seja, dificilmente vc estará entre os primeiros a ter um mínimo de certeza se algo está caro ou barato; f) se aqueles que “não estudam” são sempre os que se ferram no mercado, informo: muitas das melhores mentes do planeta (estaríamos entre eles?) estão a soldo dos mercados e de grandes fundos e investidores, mas mesmo assim, somente muitos poucos superam os índices no LP.

        E acredite: tudo isso já foi exaustivamente “estudado” e “identificado”. Talvez, já bem antes de vc ter nascido, portanto, não se iluda. Superar ou no mínimo se igualar ao mercado não é como uma receita de bolo achada no Google ou algo que se consiga seguindo conselhos do tipo seja um bom menino, estude muito, respeite os adultos, acredite que toda recompensa é proporcional aos seus esforços e mantenha a fé pra que o universo sempre conspire a seu favor…. Porque agindo assim ao final de 20 anos, com certeza, Papai Noel irá se lembrar de você.

        • Fábio Portela

          Jonas, muitas vezes o mercado é cego. E isso acontece, tanto para o bem quanto para o mal, muitas vezes.

  • Maicson
  • Erico

    E o que falar dos juros cobrados pela CEF que ao simular no site notei que aumentaram de 2011 para agora…

    Antes a minha simulacao indicava juros de 9,62%a.a., agora para os mesmos valores, prazos, e pessoas envolvidas os juros estão em 10,69%a.a.!!

    Sera a CEF indo na contramao do juros no país!?

    abs

    • thales

      Erico. Assim como vc tive a mesma percepção. Tenho conta no ITAÚ e HSBC, ambos em novembro / dezembro passaram a cobrar mais pelos empréstimos que nunca utilizei. Nunca estive com saldo devedor. os juros que eles me ofereciam pelo empréstimo era de 7,5X..agora estão em 8,96!(Itaú).
      O HSBC tbm aumentou só que eu não sei dizer quanto pq eles nunca dizem quanto de juros irão cobrar, apenas quanto vc irá pagar. E o mesmo valor de empréstimo está com as parcelas mais altas.

      Vai saber: os juros da economia caem, eles conseguem aprovar o cadastro positivo e ainda assim aumentam os juros para clientes adimplentes!

      Sabia que não iam perder, BANCOS!!!

  • Luciano

    Olá gostaria de saber como faço para aplicar em um fundo pibb-50 ibrx visto que tentei em alguns bancos e corretoras e não obtive sucesso.

  • neverton

    Olá Fábio, eu apliquei no fundo bb lp indice 2o mil do banco do brasil e estou meio indeciso se tiro o dinheiro ou espero.Vc acha que foi uma boa, diante dessas novas medidas do governo, ou vc acha q mesmo assim esse fundo não será bom?
    wlw e boa noite.