Análise da Petrobras

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Petrobras e Vale são as empresas mais populares da bolsa de valores brasileira. Nos últimos 17 anos, foram a razão da alegria de muitos investidores que investiram seus recursos em suas ações. Mas, nos últimos tempos, ambas as empresas têm trilhado caminhos bastante distintos. Enquanto a Vale ainda se mantém com um forte ritmo de crescimento em seus lucros, a Petrobras tem derrapado desde que se anunciou a descoberta de petróleo no pré-sal. Muito da performance apenas mediana se deve a problemas de câmbio e à variação no preço do petróleo (problemas com os quais a Vale também tem que lidar, já que é uma característica do setor de commodities), mas decerto o fator que tem mais afastado os investidores da Petrobras é a excessiva interferência do governo brasileiro na companhia. Mas, apesar dos problemas, vale a pena investir na companhia?

Vendas da Petrobras aumentam em ritmo superior ao lucro

O primeiro fator a ser destacado é que o lucro por ação da Petrobras tem crescido a um ritmo menor do que o ritmo de crescimento da receita líquida. Dê uma olhada nos seguintes gráficos:

LPA

O primeiro gráfico mostra o crescimento do lucro por ação da Petrobras. Veja como o lucro por ação mostra um crescimento constante até 2006, em 2007 uma queda abrupta, seguido de forte crescimento em 2008. Em 2009, nova queda no lucro, para um avanço forte em relação a 2009, mas pequeno em relação a 2008. Em 2011, um lucro por ação próximo ao obtido em 2008. O segundo gráfico mostra o crescimento da receita líquida de vendas – ou seja, o valor líquido que a empresa recebeu por suas vendas no período. A receita variou bem menos do que o lucro por ação da Petrobras – tem crescido com relativa constância em todo o período, com uma breve queda em 2009, justamente o ano em que a crise do setor imobiliário norte-americano mais afetou a economia real. De lá para cá, a receita apresentou uma continuidade no ritmo de crescimento.

Isso tudo fica ainda mais claro quando examinamos o terceiro gráfico, que consolida a comparação entre o crescimento do lucro por ação e a receita líquida de vendas: vejam como a receita mantém um ritmo de crescimento vigoroso por todo o período, enquanto o lucro por ação cresce a um ritmo bastante inferior. No período compreendido entre 2004 e 2011, o lucro por ação cresceu a uma taxa composta de 8,10%, ao passo que a receita líquida evoluiu a uma taxa composta de 10,71%. Parece uma diferença pequena, mas ela é responsável por uma grande distorção ao final: os lucros cresceram 86,52% entre 2004 e 2011, ao passo que a receita líquida de vendas cresceu 125,67% no mesmo período – uma performance quase 50% inferior!

Por que a relação entre o lucro e a receita é importante? Por que ela mostra se a empresa tem sido eficiente na administração de seus recursos. Uma empresa que consiga aumentar seus lucros a uma taxa superior ao do aumento da receita provavelmente está diminuindo seus custos. Já uma empresa que aumente os lucros a uma taxa muito inferior ao do aumento de sua receita provavelmente está administrando seus recursos de maneira ineficiente. Infelizmente, parece que é o que está acontecendo com a Petrobras. Quando examinamos a margem de lucro da Petrobras, isso fica claro:

MLucro

O gráfico indica que a Petrobras tem perdido eficiência, ou seja, sua margem de lucro tem diminuído ao longo dos anos. A margem de lucro bruta caiu de 41,68% para 31,63% entre 2004 e 2011 (uma queda de aproximadamente 25%), e a margem de lucro líquida também caiu consideravelmente, de 16,51% para 13,64% – cerca de 18% no período.

Essa queda de eficiência também pode ser observada com o exame do retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) da empresa:

ROE

O ROE da companhia despencou de 28,68% em 2004 para 10,10% em 2011. Ou seja, em apenas 7 anos o retorno sobre o patrimônio líquido da empresa caiu aproximadamente 65%! É uma queda imperdoável. O ROE indica a eficiência com que a companhia consegue transformar seu patrimônio líquido em lucro líquido. Uma queda de 65% significa que a Petrobras precisa, hoje, de um patrimônio três vezes maior do que o de 2004 para gerar o mesmo lucro líquido daquele ano! O resultado só não foi mais impactante para o acionista porque o patrimônio líquido da empresa avançou significativamente no período – mais do que três vezes -, o que tornou possível que o lucro apresentado em 2011 seja superior ao de 2004:

PetrobrasComo você pode observar, o valor do patrimônio por ação – ou seja, a fração do patrimônio líquido que corresponde a cada ação da empresa – saltou de R$ 4,77 para R$25,29 – um aumento de 429,68%, ou 23,17% ao ano. Mas esse salto não foi linear. Entre 2004 e 2009, a taxa de crescimento foi de 16,97% ao ano. Entre 2010 e 2011, de apenas 7,53% ao ano. Mas… entre 2009 e 2010, a taxa saltou de R$ 12,22 para R$ 23,52 – um aumento espetacular de 92,47%. Por que isso aconteceu? Como você está lembrado, em 2010 a empresa realizou um processo de capitalização magnífico, que aumentou espetacularmente seu patrimônio. Mas a que custo? O de tornar a empresa extremamente ineficiente na geração de lucro para o acionista. Como era esperado, o aumento abrupto do patrimônio líquido é o fator que explica a queda abrupta no ROE, já que o novo patrimônio em reservas do pré-sal ainda não foi capaz de gerar um aumento substancial nos lucros da empresa. Como o patrimônio aumentou abruptamente sem gerar lucro novo, a rentabilidade total do patrimônio líquido despencou. A aposta da companhia é de que o lucro do pré-sal só será percebido nos próximos anos, e por isso o investidor não teria com o que me preocupar. De minha parte, continuo com as “barbas de molho”. O ROE da Petrobras já vinha despencando desde 2005. As margens de lucro também já vinham apresentando desempenho inconsistente. A capitalização da empresa só veio a confirmar a perda de eficiência, não gerá-la. A empresa continua bastante capaz de honrar suas dívidas. Seu índice de liquidez geral está em 2,22 – resultado também impactado pelo processo de capitalização, já que os ativos da companhia aumentaram bastante.

Enfim, não há o que se preocupar no tocante à capacidade de a empresa continuar operando. O que me preocupa é a capacidade dela gerar valor a seus acionistas. Esta parece ser a última das preocupações da Petrobras. O lucro vem sendo inconstante, a empresa tem perdido eficiência ao longo do tempo e, para piorar, os dividendos pagos também têm sido bastante inconstantes:

DivComo pode ser observado, a empresa pagou menos dividendos em 2011 do que pagava em 2006! Pior do que isso, a tendência dos últimos anos tem sido declinante. Desde 2008, quando a Petrobras pagou aproximadamente o mesmo valor em dividendos por ação, o valor pago tem diminuído a cada ano.

Que rentabilidade esperar das ações da Petrobras?

É difícil prever como serão os próximos anos da empresa. O pré-sal ainda deve exigir muitos investimentos antes que traga os lucros que dele se espera. Além disso, o retorno esperado depende de muitas variáveis que não estão nas mãos da companhia: a regulação do setor, a interferência do governo, o câmbio, o preço do petróleo. Além disso, eventualmente a empresa necessitará de uma nova capitalização para poder investir o montante necessário para explorar o pré-sal, tornando-a ainda mais ineficiente na geração de lucro. São esses os motivos que me levaram, há algum tempo, a me desfazer das ações que eu tinha da empresa.

De qualquer modo, tracei uma expectativa de rentabilidade para quem decidir investir na empresa. Realizei dois tipos de simulação: uma moderada, levando em consideração o ritmo de crescimento do lucro por ação da Petrobras nos últimos oito anos; e uma bastante conservadora, levando em consideração o ritmo de crescimento do lucro por ação a um ritmo mais baixo, de metade do ritmo que a empresa apresentou no período. Sei que essa é uma previsão bastante conservadora, mas acredito que é melhor ser conservador do que otimista demais.

Vejamos os resultados:

Cálculos moderados

Em primeiro lugar, indico que os cálculos aqui indicados não significam qualquer recomendação de compra ou venda da empresa. São apenas estimativas nas quais eu me baseio para decidir investir ou não em uma companhia, e não que eu esteja recomendando para ninguém. Ressalto que não sou analista de mercado certificado e, portanto, minhas considerações devem ser objeto de reflexão por parte dos leitores, que são os únicos responsáveis por suas decisões de investimento.

Para efetuar esses cálculos, levei em consideração que a Petrobras tem apresentado um crescimento médio no lucro por ação de 8,10% ao ano de 2004 a 2011 e, por considerar essa taxa medianamente razoável para o longo prazo, decidi utilizá-la para projetar o crescimento dos lucros nos próximos 10 anos. Além disso, considerei que a empresa deverá manter o patamar dos dividendos em sua média histórica dos últimos 8 anos, de cerca de 3,76% ao ano. Com esses parâmetros em mãos, tracei a seguinte projeção:

Petrobras

 

Assim, mantido esse ritmo de crescimento, a Petrobras teria, em 2022, um lucro por ação de R$ 6,02. Como o P/L médio apresentado pela companhia no período de 2004 a 2011 foi de 11,52, utilizei esse indicador para calcular a cotação média esperada para 2022 – que seria de R$ 69,34. Com uma cotação atual de R$ 24,05, isso significaria uma rentabilidade total de 188,32%, ou 11,17% ao ano, sem computar os dividendos. Computando-os, a rentabilidade total já seria de 256,75%, ou 13,56% ao ano. Trata-se de rentabilidade superior à apresentada pela Selic, que está na casa de 10,5% ao ano.

Assumindo essas premissas, quem investir hoje R$ 24.500,00, comprando 1.000 ações da empresa, poderá esperar um patrimônio total, sem reinvestir dividendos, de R$ 85.798,12 em 2022. Ressalte-se apenas que isso depende de o mercado manter o P/L em sintonia com sua média histórica. Caso o P/L atual seja mantido, na casa de 9,42, a cotação média esperada já ficaria na casa de R$ 56,70, e a rentabilidade já cairia para 135,76% (sem dividendos), ou 8,95% ao ano.

Note ainda que, se as premissas estiverem adequadas, os preços atuais da Petrobras indicam que, quem comprar ações hoje, estará levando a empresa por um índice P/L equivalente a 4,00 em relação aos lucros projetados para 2022.

Cálculos conservadores

Caso adotássemos a premissa mais conservadora de que o crescimento do lucro por ação da Petrobras cairia para 50% do ritmo apresentado nos últimos 8 anos, a rentabilidade esperada do investimento seria muito pior. A nova projeção seria a seguinte:

Petrobras

Com essas premissas, em 2022 o lucro por ação da Petrobras estaria na casa de R$ 3,95, e a cotação média esperada, com o P/L médio dos últimos anos, seria de R$ 45,55 em 2022. No total, a rentabilidade esperada sem dividendos é de 89,4% (ou 6,6% ao ano). Com os dividendos, o retorno já subiria para 157,65%, ou 9,93% ao ano. Perceba o quanto os dividendos geram impacto positivo para a rentabilidade ao final do período: nesse último caso, mais conservador, eles corresponderiam a quase metade de toda a rentabilidade obtida no investimento.

Resumo de indicadores

Seguem, ainda, algumas tabelas com minhas premissas. Nessa primeira tabela, resumo uma simulação de um investimento inicial de alguém que adquirisse 1.000 ações da empresa aos preços atuais. Indico a rentabilidade esperada conforme as premissas que estabeleci acima. Na parte final do gráfico está a margem de segurança esperada atualmente. Pelos meus cálculos, extraído de uma média das premissas conservadora e moderada, o preço justo das ações da companhia é de R$ 31,21 – aproximadamente 22,95% acima do preço atual. Uma premissa mais conservadora indicaria um preço justo de R$ 30,62, com uma margem de segurança de 21,45%.

Petrobras

Conclusões? De minha parte, acredito que os indicadores da Petrobras ainda mostram forte incerteza sobre o futuro da empresa. De qualquer modo, mesmo quem decida investir na empresa aos preços atuais pode esperar obter uma rentabilidade medianamente superior à renda fixa nos próximos anos. Se as expectativas dos mais otimistas se confirmarem, é possível até que minha projeção moderada se mostre conservadora demais. De minha parte, embora acredite que seja razoável a probabilidade de o futuro ser mais otimista do que minhas previsões, prefiro permanecer cauteloso.

Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

  • Vinícius

    Interessante análise, Fábio. Concordo com a maior parte dos seus comentários, contudo há que se considerar também a possibilidade de pequenos ganhos extras com o lançamento coberto de opções o.t.m. das preferenciais, que apresentam liquidez satisfatória.

  • i40

    Prezado Fábio

    Boa análise da PETRO, faltou esmiuçar que esta empresa é massa de manobra dos políticos, eles roubam tanto dela, tiram dinheiro de todos os lugares e meios possíveis.

    Você sabia que o marido da presidente da Petrobrás recém nomeada (empossada) pela presidente assaltante de banco possui contratos milionários com a Petrobrás.

    Agora pergunto, é lícito? é moral? é legal? o marido da presidente da empresa ser fornecedor da empresa e ter contratos milionários com a empresa?

    Estou totalmente desacreditado desta empresa, ela é o brinquedinho dos políticos.

    abraço

    I40

    • Fábio Portela

      i40, deixei isso nas entrelinhas. Como eu já disse no blog em vários momentos, larguei mão da Petrobras justamente por causa disso.

      Abraços,
      Fábio

  • http://www.facebook.com/jefersondaluz Jeferson Luiz da Luz

    Fábio

    Estou vendo que você está usando o intensedebate. Foi muito demorado para importar as mensagens para o servidor deles ?

    • Fábio Portela

      Um pouco. Mas ainda não sei se está funcionando bem… estou sentindo falta de boa parte dos comentários antigos.

      • http://www.facebook.com/jefersondaluz Jeferson Luiz da Luz

        Entendi…Tenho aquele blog inteiro (você sabe qual é) para migrar, são mais de 32 mil comentários…

  • Erik

    Hummmm.

    Gostei das estimativas.
    Veremos agora com o passar da década como será o comportamento da empresa.

    Afinal, a empresa estima triplicar produção nesse período. Sabe-se lá se no frigir dos
    ovos realmente haverá o ganho de produtividade esperado, COMO se comportará o
    preço do petróleo, etc.

    Se pensarmos em cenários ruins (custo de extração do pré-sal acima do previsto,
    preço internacional, etc), até o cenário conservador pode ser otimista….

    • Fábio Portela

      Pois é, Erik. O problema é que, mesmo se a empresa triplicar a produção no período, pode ser que para alcançar esta marca ela necessite aumentar bastante os investimentos. Pode até acontecer de a receita aumentar e o lucro não seguir o mesmo caminho na mesma proporção, dados os custos necessários para a exploração. Nesse caso, a receita aumenta, mas os lucros ficam estagnados – situação péssima para o acionista. Vamos ver o que acontece…

  • Diego

    Análise magnífica. E realmente o grande problema da Petrobrás, e até mesmo da Vale, é que ela virou uma ferramenta de manobra política. Cargos estratégicos são preenchidos por políticos aliados, que só querem saber de embolsar o seu. Equipamentos são comprados baseados em um nacional-desenvolvimentismo barato. Campanhas políticas são financiadas com lucros. Projetos sem sentidos (como a parceria com a Venezuela) são criados. E tantas outras safadezas que só os nossos excelentíssimos políticos são capazes de fazer.

  • Jader

    Bem completo e objetivo fábio! Parabéns!

    Sei que vai parecer monótono o pedido mas tu ja tem na manga esse mesmo estudo com a vale? Seria uma boa…

  • Leo Ludmer

    Boa explanação. A petrobrás é uma excelente empresa, que infelizmente é usurpada pelo governo. Eu tenho ações da PETR que só uso p/ operar opções e para esperar que ela suba nos próximos anos e me desfazer desses papeis.

  • leo

    boa analise, fabio

    entendi tudo e achei as premissas bem razoaveis.

    apenas nao entendi de onde tiraste aquele “preço justo” no final: seria o desconto do preço final levando em conta uma media das premissas conservadora e moderada à taxa atual de juros?

    • Fábio Portela

      Justamente, Leo! O preço justo que calculei foi a partir da média dos dois cálculos. É a metodologia que eu uso, para tentar garantir uma margem de segurança um pouco superior.

      Abraços,
      Fábio

      • leo

        A questão da media eu ja entendi.

        Mas pergunto o seguinte: uma media entre 69,34 e 45,55 é ~57,45… mas esse é o "preço" em 2022. Como chegaste aos 30 e poucos do preço justo?

        • Fábio Portela

          Usei o preço justo atual relativo ao ano de 2012. Basta ver na coluna com os preços de cada ano…

          • leo

            certo, era mais simples do que eu achava que era heheh

  • Jailson

    Fábio, não posso concordar com a tua análise.
    Em primeiro lugar os lucros por ação diminuiram devido à oferta pública de ações. Logo, mais ações, menor lucro por ação. Como a empresa arrecadou dezenas de bilhões o seu patrimônio aumentou, logo o ROE diminuiu. Acontece que levará algum tempo até que a Petro desenvolva os seus projetos nas suas gradiosas reservas. De acordo com o Gabrielli, a Petro em 2020 multiplicara por 2,5 vezes a produção atual de petróleo. E certamente o preço do Barril não estará em U$ 100,00 em 2020 (acredito que a demanda aumentará num ritmo maior que a oferta). Desta forma, na minha opinião, você não pode usar os resultados dos últimos anos e projetar um crescimento linear. É verdade que há problemas na empresa, principalmente por ser uma estatal e os riscos relacionados a sua atividade. Quem compra Petrobras está comprando o seu futuro, não os resultados dos últimos anos. E posso apostar que o futuro da nossa Blue Chip será de forte crescimento.

    • Fábio Portela

      Jaílson,

      O problema é que a empresa tem mostrado que, mesmo aumentando significativamente a exploração de petróleo, ela não tem conseguido aumentar o lucro na mesma proporção. Ela pode até apresentar forte crescimento na receita, mas nada garante o mesmo crescimento no lucro por ação, que é o que interessa ao acionista – esse sujeito que tem sido menosprezado pela empresa nos últimos 6 ou 7 anos..

      Abraços,
      Fábio

      • http://dimarcinho.blogs.advfn.com/ dimarcinho

        Jaílson e Fábio,

        estou de acordo com o Jaílson. A empresa está com 4 refinarias em construção e o pré-sal já está funcionando a todo vapor. Em apenas 1ano e meio a produção passou de zero para 184mil boe/d. Se o olharmos o histórico, a empresa levou 10 anos para aumentar sua produção em 643mil, ou seja, mantendo o ritmo (que suponho que ainda será maior, visto que os investimentos ainda não chegaram) a empresa crescerá a uma média quase 3 vezes maior.
        E o que tem atrapalhado os números são o setor de Abastecimento da empresa, que tem constantemente dado prejuízo à mesma. Com as novas refinarias, a demanda por importação diminuirá bastante, talvez até sobrando para exportar, resolvendo este problema. Fora que é provável também que os custos de logística caiam, pois 3 das 4 serão no NE, que enfrenta problemas sérios de logística no abastecimento.

        Ou seja, simplesmente você não pode comparar os dados dos últimos anos pois o momento é COMPLETAMENTE diferente!

        Todas essas variáveis (crescimento do pré-sal e refinarias) deveriam ser, no mínimo, incluídas na sua avaliação.

        Sobre o ROE, notar que mesmo despecando com a capitalização, de 2010 conseguiu haver crescimento, coisa que também foi realizada pelo EBTDA. Ou seja, o que está atacando a empresa é justamente o financeiro da empresa, que está refletindo o excesso de importações, visto que a empresa não pode repassar o preço ao consumidor.

        Todos reclamam do governo, mas eu pergunto o seguinte: você prefere ser acionista da Petrobras, uma empresa excelente, ou pagar R$ 5,00 no litro da gasolina?

        Grande abraço!

        • Fábio Portela

          Prefiro não ser nem uma coisa, nem outra.
          Dimarcinho, eu não posso comparar a atividade da empresa de OITO anos para cá? É brincadeira! Será que nos oito anos a empresa sofreu tanto assim, sendo que em boa parte deles veio traçando uma trajetória de forte crescimento na receita (e o lucro, crescendo em ritmo MUITO mais lento)? Não duvido que a empresa vai continuar a crescer… a questão mesmo é: a que custo? Além disso, o pré-sal demandará ainda mais investimentos do que o que foi capitalizado. Para se produzir com consistência e na quantidade que o governo espera, decerto será necessária nova capitalização, diluindo ainda mais o acionista. Prefiro não ser otimista demais.

          Abraços,
          Fábio

          • http://dimarcinho.blogs.advfn.com/ dimarcinho

            Fábio,

            claro que você pode fazer uma análise de oito anos. Mas cabe analisar cada caso. Não podemos ser cegos e analisar apenas números. Se for assim, tem um monte de empresa excelente na Bolsa, mas que, “por algum motivo” não disparam….

            Quando o momento da empresa muda, o histórico serve para vislumbramos o o potencial de melhora ou piora. Imagine que você tivesse feito este tipo de análise logo após a privatização da Vale?

            Mas, por exemplo, como alguém comentou mais abaixo, o LPA está baixo devido à emissão de ações. Olhando sem isso, a história não foi bem essa. Inclusive, sua análise ficou bem distorcida e você pegou exatamente os pontos que foram mais afetados pela capitalização: LPA e ROE!!!!
            Além disso, achei que você focou nos pontos negativos e esqueceu de olhar os positivos, pois é isso que devemos fazer para tomar as decisões, correto? Vamos ver:

            Pelo Fundamentus, vemos que a Receita Líquida aumentou de 2004 pra cá de 100bi para 240bi (140% de aumento).
            Já o Lucro Liquido, apesar de oscilar, é sempre crescente no longo prazo e aumentou de uma média de 15bi para 35bi (133% de aumento).

            Ou seja, não foi “MUITO mais lento” como você colocou!

            Outra coisa, você mencionou que a margem líquida caiu de 16,51% para 13,64%. Mas olhando bem o gráfico, nota-se que dos últimos 8 anos, apenas em um ficou abaixo de 13,5%. Eu já havia feito essa conta e, na média, a empresa mantém a margem de 15-16%. Ou seja, ela não “caiu”, na verdade se mantém a mesma há anos.

            Mas aí que está: a margem bruta, esta sim, vem caindo bastante, mas mesmo assim a empresa consegue manter a mesma margem líquida. Como é possível?? Isso para mim é AUMENTO de EFICIÊNCIA, pois o financeiro da empresa é quase sempre negativo…

            Analisar números, ainda mais gráficos não pode ser assim pontual. Mas, já falei dos números, agora um pouco sobre a empresa:

            Em 2001 a P-36, como alguém também mencionou, era a maior plataforma de produção do MUNDO e afundou, levando bilhões juntos (programa de sucateamento do FHC). Mesmo assim, a empresa saiu do BURACO e cresceu muito. Sem pré-sal. Sem novas refinarias (pelo contrário, só hardware velho).

            Continuando, há 8 anos atrás a empresa possuía muito menos reservas e os projetos sobre refinaria engatinhavam (se ia ter ou não). Hoje, a realidade é COMPLETAMENTE DIFERENTE. A empresa já consolidou os projetos das refinarias e o pré-sal, como mostrei acima, já começou num rimo 3x maior do que a média histórica da empresa.

            Supor que o histórico irá se manter nestas condições, sinceramente, não faz sentido algum.

            Sobre sua pergunta “a que custo”? A empresa tem know-how mais do que suficiente na área e, se bem me lembro, nada neste mundo dá tanto dinheiro quanto petróleo. Plante hoje, colha os frutos amanhã.

            Bato na mesma tecla: olhar apenas para os números não é suficiente. Warren Buffet ia até as fábricas, conversava com diretores, se interessava pelo negócio da empresa. Ele não olhava apenas os números dela e tomava decisões em cima disso.

            A propósito, veja o histórico de lucros da Vale. Se você tivesse feito análise semelhante no início de 2010 acho que chegaria na conclusão de que a empresa iria falir, né? Pois o lucro dela passou de 25bi para 10bi. Hoje está na casa dos 37bi. O que será que fez a empresa pular naquela época? Olhando o histórico apenas ficaria estranho, pois foram 2 anos instáveis e quedas nos resultados…

            Grande abraço!

          • Fábio Portela

            Dimarcinho,

            O problema é que minhas contas já levaram em conta o LPA justamente sem ajustar para a capitalização. Ou seja, o resultado para o acionista da empresa foi, na verdade, pior do que o que eu considerei. Eu apenas ajustei o LPA de acordo com o número de ações de hoje, e não o ajustei para cada flutuação no número de ações a cada ano – o que levaria em consideração as perdas com a capitalização. Como eu disse, não acho que o pré-sal vá dar errado. Só acredito que não vai render o que se espera dele. Quanto à Vale: era natural a queda de receita que vimos em 2009, como será se ocorrer eventualmente ao longo do tempo. Mas não vimos a Vale fazendo com o acionista o que a Petrobras fez com os seus acionistas. Concordo contigo: precisamos compreender o negócio da empresa. E uma coisa que eu não compreendo é como a Petrobras – se levar a cabo o próprio plano de negócios dela – pretende retirar do pré-sal um lucro suficiente para cobrir os investimentos e, além disso, dar retorno aos seus acionistas. Segundo o plano de investimentos, ela precisaria retirar o equivalente a OUTRA Petrobras para começar a ter lucro com o pré-sal. São muitas variáveis em jogo, e muitas são contra os acionistas.

    • Wanessa

      Exatamente isto é o que eu ia dizer para o Fabio. A análise dele é apenas um corte, uma fotografia do presente e sem considerar que ela está simplesmente trocando o hoje (na forma de menores margens) para financiar o futuro. Achei que a análise é apenas uma coletânea de dados.

    • http://dimarcinho.blogs.advfn.com/ dimarcinho

      Olha, numa conta “burra”:

      Reservas do pré-sal: ~8bi
      Preço do Petróleo estimado no longo prazo pela Petrobras: U$ 75;
      Retorno: 8*75 = 600bi
      Investimentos = 300bi

      Obviamente o valor muda com o tempo, mas o dólar (ou a moeda padrão qualquer) nem tanto.

      Em qual tipo de investimento você consegue um retorno de 100% com este volume financeiro?

      Dobrar 1mil é fácil. Dobrar 10mil também. Dobrar 100mil não tem muito mistério. Dobrar 1milhão já complica. Dobrar 10milhões começa a ficar bem complicado. Dobrar 100milhões é tarefa para poucos. Dobrar 1bilhão é para pouquíssimos.

      E dobrar 300bi? Só empresas desses porte e segmento (petróleo).

      Grande abraço.

      • Luciano

        Caro Dimarcinho,
        Quem dera se a matematica fosse tao simples assim !!!
        Voce esqueceu dos custos de extração do pré sal que sao elvados por se tratarem de aguas profundas . . . enquanto o custo de extração em aguas razas gira em torno de US$15-20 por barril, no pré sal especula-se que pode chegar a US$ 45 !!!
        Assim sendo a conta correta seria US$ 75 menos US$ 45 (custo de extração), ou seja margem de US$ 30 por barril !!!
        Refaça seus calculos e verá que a conta nao fecha !!! Ou sera que o mercado esta todo errado qo nao querer mais saber das açaoes da Petrobras que se encontram no limbo e viraram o mico da bolsa, não ha força que faça esta açao subir !!!
        Meus pesames se esta comprado nela.
        Um abraço.
        Luciano

        • A

          O custo do barril em terra é 7 dolares. Em mar é varia de 9 à 12 ( depende de profundidade, distancia da costa, se o oleo tem gás associado…). No pré sal o teto é 20 dolares.

  • leo

    olá, fabio

    nao sei o que esta acontecendo – e nem se tem relaçao ou nao com a nova politica de publicaçao de comentarios do site, a qual apoio plenamente -, mas nao estou mais conseguindo ler os comentarios das outras pessoas (nem se o meu comentario foi publicado). apenas consigo comentar e ver quantos comentarios já foram feitos!

    um abraço do colega da comunidade B&H.

    • Fábio Portela

      Vc não está conseguindo ler o comentário de ninguém?? Que estranho!!!

      • leo

        é problema la do meu trabalho. escrevo agora de casa e estou conseguindo ler tudo.

        deve ser porque mudaste o sistema de comentarios, deve ser bloqueado pela minha empresa

  • Gustavo

    Muito bom, Fábio.

    Obrigado pela análise!

  • rezende

    Eu também vajo a petro como futuro, ela passou do ponto onde não tem volta, ou termina os projetos do pre-sal e passa a ter lucro deles ou quebra, então eu acho que agora é vai ou vai. O lucro caiu porque ela está fazendo investimento no aumento da produção, deixando de produzir agora para produzir mais no futuro. Quanto a ela estar ruim hoje, ela já esteve bem ruim por volta da época em que a p-36 afundou, visto que o gestão na época visava a venda da compania alegando incompetência e olha a volta que ela deu alguns anos depois, pra se lançar num projeto dessa magnitude de novo visando cresicmento futuro. Entre os revêzes e os frutos que ela vai colher, só vai colher junto quem embarcar na época em que as suas ações estiverem em baixa, depois que subir e começar a aparecer na TV que subiiu daí já será tarde, essa aliás será a hora de sair e realizar o lucro. J[a no curto prazo nem passe perto.

  • Humberto

    Fábio, excelente análise.
    Me tire uma dúvida, como você chegou a esses valores dos dividendos por ação? Eu tenho uma planilha com dados desde 2000 da Petrobras, mas meus valores de dividendos por ação são completamente diferentes dos seus. Seus valores estão corrigidos? Não entendi esses números. Será que estou calculando de forma errada?
    Se puder me ajudar… Valeu e parabéns, a cada dia as análises estão melhores !!!
    Um abraço

    Humberto

  • Saimon Rijo

    Eai Fabio,
    excelente post, faz um assim da VALE???

    Acredito que a cotacao batendo 19 ou 18 vale a pena comprar petr3 esse preco medio na casa dos 20 é um otimo negocio essa minha visao e eh nesse valor que eu estou me posicionandose vai voltar nao sei mas se voltar eu compro hehehe abraço!

  • Anderson

    Estas suas análises me levam de volta ao banco da faculdade. É um prazer coçar a cabeça nestas “conversas” informais contigo. Obrigado por nos proporcionar tão gratificante fonte de aprendizado.

  • Lopes

    Tenho poucas ações da Petrobras e vou adotar a seguinte estratégia neste ano. Se ela chegar a R$ 28,00 eu vendo. Se chegar a R$ 19,00 eu compro.

  • http://primeirospassosdeuminvestidor.blogspot.com/ Rafael Pereira

    Sabe-se que a administração da Petrobras não andava lá essas coisas faz tempo ( não é a toa que a troca de comando refletiu muito positivamente no mercado )

  • Felipe Pessoa

    Fabio,

    Tenho ações da petr4 com um PM de 23,00, com os dividendos o PM cai para 21,67, atualmente petr4 é minha maior carteira como eu já havia mencionado em um post anterior seu. Na verdade venho me questionando se vale a pena continuar aumentando posição com meu capital proprio ou se invisto apenas os dividendos ante as incertezas que rodeiam a companhia já faz um tempo. Gostaria de que você postasse um comentário sobre o que faria caso tivesse as ações em seu portifolio.

    • Fábio Portela

      Felipe, esse é o tipo de questão que, infelizmente, não posso responder. Não tenho certificação para recomendar ou não nenhum tipo de investimento em ações específicas.

  • givaldo lau da silva

    fabio eu comprei em 2008 em fundo de açoes da caixa R$80.000 e so tenho entre R$49.000 eR$50.000 esperar para 2022 seria melhor colocar em outras empresas q tenha um bom fundamentos por ex bancos vale eletricas etc aguardo sua aptas respostas um abraço otimo comentario

    • Fábio Portela

      Givaldo, o ideal é investir aos poucos, e não de uma vez como você parece ter feito.

  • givaldo lau da silva

    estou com vantade vender pra se recopero em uotras açoes foi isso mesmo q eu fiz comprei de una so vez sem experiencias alguma nao conhecia este site .eu estaria muito bem das pernas finaceiramente. sem copromiço vender uo esperar um pouco pra diminuir as perdas responda a respossabilidade e minha na suas respostas obrigado pela atnçao aguardo

    • Nélio

      Jesus…

  • Aufredo

    Que curioso! Coincidiu de o Fábio mudar a política e o blog atrair toda uma leva de novos investidores!!!! Showwwww

  • leo

    Coincidiu, também, de tu (Aufredo) e tu mesmo (Jonas) terem parado de encher a paciência por aqui tambem… Nao dá confusao na tua cabeça, nao? heheheh

  • Cristiano

    Boa noite, Fábio
    Não conseguir entender no seu quadro o preço justo da ação que aparece no final, vc já respondeu essa dúvida para o Leo nas perguntas acima, mesmo assim não conseguir entender. É possivel explicar a conta. grato e desculpe pela ignorância.

    • Cristiano

      Fábio, pensei mais um pouquinho e descobrir.
      Grato

  • Otávio

    Bom dia Fábio,

    Parabéns pela análise, muito interessante.

    Gosto muito do estilo do Buffet de tratar ações como Equity Bounds, e nesse caso, fazer uso de projeções como a sua é muito útil!

    Estou tentando fazer algo parecido aqui, gostaria de saber onde você pega os dados históricos. Estou com dificuldades de encontrar informações como VPA e P/L históricos.

    Outra coisa, como você usa o preço médio da ação? Você pega o preço da ação no último dia do ano ou faz uma média das cotações anuais?

    Abraços,
    Otávio

  • Sandro

    http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1078913-ministro-argentino-pede-mais-investimentos-da-petrobras.shtml

    Como uma empresa assim pode ser séria?
    Toda a diretoria indicada pelo governo petista. Aparelhada até o talo…
    Nunca investiria e nem trabalharia num lugar desses. Apenas, logicamente, se eu fosse um “cumpanheiro”.