Poupança e tesouro direto: qual o mais rentável?

Poupança ou tesouro direto? O que rende mais? Muitas vezes, é difícil comparar a rentabilidade entre investimentos de natureza diferentes. Afinal, cada investimento está sujeito a uma regulação diferente, a impostos diferentes, e a uma metodologia de cálculo diferente. Por essa razão, muitas pessoas preferem nem tentar comparar investimentos de natureza diferente e acabam por decidir investir na modalidade de investimento mais cômoda – normalmente, a poupança. Nesse post, pretendo traçar uma comparação entre a rentabilidade líquida do Tesouro Direto e a poupança, a fim de verificar qual modalidade de investimento é potencialmente a mais atrativa para o investidor.

Os custos do tesouro direto diminuem o retorno dos títulos públicos em relação à poupança

De partida, os títulos do tesouro direto já têm uma desvantagem séria com relação à poupança: eles trazem embutidos três taxas, que reduzem substancialmente a rentabilidade do investimento. Em primeiro lugar, existe a taxa de negociação, que corresponde a 0,10% sobre o valor total investido. Em um investimento de R$ 10.000,00, essa taxa corresponderia a R$ 10,00. Além disso, existe a taxa de custódia cobrada pela BM&F Bovespa, correspondente a 0,3% por ano de investimento – ou R$ 30,00 sobre um investimento de R$ 10.000,00. Por fim, existe a taxa de custódia cobrada pelo próprio agente de custódia, que é a instituição a partir da qual os títulos são negociados. Ela varia entre 0% e 1% ao ano. Essas taxas são cobradas automaticamente no momento em que a aplicação é efetuada.

E também não podemos desconsiderar os efeitos do imposto de renda na rentabilidade: há uma alíquota entre 15% e 22,5%, que diminui ao longo do tempo. A alíquota mais baixa é cobrada para os investimentos com prazo superior a 720 dias. Investimentos resgatados em menos de 30 dias após a aplicação sofrem ainda a incidência de IOF. Portanto, não se esqueça: o ideal, ao investir no Tesouro Direto, é aplicar apenas o valor que se deseja resgatar a partir de dois anos após o momento da aplicação.

Custos com impostos e taxas podem levar a retorno menor no tesouro direto em relação à poupança

Ao investir no tesouro direto, o investidor tem o poder de controlar três variáveis que terão impacto fundamental em sua rentabilidade: o prazo do investimento, que afetará a alíquota de Imposto de Renda; a instituição financeira onde investe seus recursos, que afeta a taxa cobrada pelo agente de custódia; e o título do tesouro direto que pretende adquirir, o que determina a rentabilidade bruta esperada. Esses fatores são essenciais para definir se é melhor investir no tesouro direto ou na poupança.

Para comparar ambas as modalidades de investimento, fiz algumas simulações, variando o prazo do investimento e a taxa de custódia. Para realizar a simulação, escolhi vários títulos do tesouro direto – alguns corrigidos pela inflação, como as NTN-B Principal, e outros com taxas pré-fixadas. Como parâmetro de comparação, fixei a rentabilidade da poupança em 7,45%, que corresponde à taxa dos últimos 12 meses. Além disso, usei a remuneração da data de 17 de fevereiro para fixar a rentabilidade dos títulos do tesouro direto, e para o cálculo da inflação nos títulos corrigidos pelo IPCA, usei o índice de inflação de 6%. Por fim, considerei a rentabilidade dos títulos apenas baseada na taxa esperada por quem decidisse carregar os títulos até o vencimento, desconsiderando os efeitos da flutuação nas taxas de juros.

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No primeiro exemplo, o investidor aplicou seus recursos por um prazo superior a dois anos, garantindo a menor alíquota de imposto de renda possível, e escolheu uma instituição que não cobra a taxa do agente de custódia. Vejamos os resultados:

tesouro direto

Como você pode observar, o Tesouro Direto apresentou, nessas circunstâncias, uma rentabilidade líquida bastante superior à poupança. No melhor caso – a NTN-B Principal com vencimento em 2024 teve uma rentabilidade de 9,19%, 23,33% superior à da poupança. No pior cenário (LTN 2015), o investidor ainda conseguiria uma rentabilidade 11,12% superior à poupança.

Vejamos o segundo cenário:

Sim2

Nessa simulação, o agente de custódia cobra uma taxa de 0,5% (como o Banco do Brasil, por exemplo), e o investidor decidiu aplicar seus recursos por período inferior a seis meses, recolhendo um imposto de renda à base da alíquota de 22,5%. Nessa situação, a vantagem do tesouro direto sobre a poupança diminui consideravelmente. Em três casos – NTN-B Principal com vencimento em 2015, LTN com vencimento em 2015 e NTN-F com vencimento em 2017, a rentabilidade é inclusive inferior à da poupança. Isso reforça o que havíamos dito antes: tesouro direto é para investimentos superiores a 2 anos!!

Sim3

O terceiro cenário é o pior dos três. Nele, o investidor aplica em uma instituição que cobra 1% de taxa de agente de custódia (como o Itaú, por exemplo), e investe por um prazo inferior a seis meses, incorrendo em uma alíquota de imposto de renda de 22,5%. Nessa situação, TODOS os títulos do tesouro direto examinados apresentariam rentabilidade inferior à da poupança – em alguns casos, inferior em mais de 10%!

Essas simulações mostram a importância de escolher instituições que cobrem uma taxa de custódia mais baixa e de manter os títulos em sua carteira de investimentos por pelo menos 720 dias. Não cumpridas essas condições, investir no tesouro direto pode resultar em rentabilidade bastante inferior à da poupança.

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Fábio Portela é investidor desde 2006 e disponibiliza neste site seus conhecimentos adquiridos ao longo do tempo, seja com sua experiência, seja por meio das leituras que fez ao longo dos anos. O autor é mestre em Direito Constitucional e em Filosofia pela UnB, e atualmente cursa doutorado em Direito Constitucional na mesma instituição.

  • Manoel Netto

    Em resumo, o td é muito bom, mas pra quem fez a lição de casa – escolha do título, corretora e prazo – antes de utilizá-lo..

  • LUIS CARLOS

    Prezado Fábio Portela,
    seu artigo é muito interessante, mas nas simulações que você fez, você apresentou o resultado líquido apenas do primeiro ano. Como há aplicações até 2015 você não deveria ter considerado o rendimento ao longo do período do investimento, com juros compostos?
    Obrigado,
    Luís Carlos

    • Fábio Portela

      Luis,
      Para verificar o resultado, a comparação em bases anuais é melhor, já que não há como prever como será o rendimento da poupança nos próximos anos.

      Abraços,
      Fábio

  • http://vidaruimdepobre.blogspot.com/ pobretão de vida ruim

    É isso que me incomoda no tesouro. Não gosto de deixar o dinheiro tanto tempo preso lá.

    Veja só Fábio, muitos falam que deixar na renda fixa para “tempos ruins” da bolsa é uma idéia perfeita. Mas note que tesouro não é o melhor para isso pois abaixo de 1 ano perde pra poupança e perde feio sem a liquidez da poupancinha. E se deixar muito tempo perde o sentido de colchão de reserva para pegar pechinchas na bolsa.

    Portanto sigo firme na poupança esperando a queda da bolsa. Obrigado por confirmar o que eu suspeitava.

    http://vidaruimdepobre.blogspot.com/

    • http://www.oguiadofimdomes.com.br Felipe Tazzo

      Eu sei que o dinheiro também tem que ser utilizado para as coisas boas da vida, afinal, de que adianta abarrotar o caixão de dinheiro? Mas eu como regra só tiro dinheiro de um investimento para colocar em outro investimento melhor. Eu amo o tesouro direto.

  • leoh

    Ótimo post! Só tem um porém, que não foi abordado: os dias de poupança a 7% a/a estão contados. O governo jamais deixaria a poupança ganhar do tesouro direto. O governo precisa do dinheiro do tesouro. Em breve a TR vai cair e “ali haverá pranto e ranger de dentes”.

  • Alexandre

    Fábio, dá um jeito de tirar esta propaganda do lado esquerdo da tela. tá atrapalhando muito a leitura. Eu uso o Chrome e todas as telas aparecem essa propaganda do google no meio da matéria. Valeu!!!

    • Fábio Portela

      Alexandre,

      Infelizmente no meu computador essa propaganda aparece bem, sem afetar a leitura do texto. Atualize o Chrome e veja se o problema permanece!

      Abraços,
      Fábio

  • http://www.drmoney.com.br Dr. Money

    Pois é Fábio, o governo está com um pepinão na mão. A Caderneta é uma autêntica jabuticaba brasileira, que funcionava bem em uma economia com taxas exorbitantes. Agora que estamos caminhando para taxas mais civilizadas, aparece a jabuticaba. E tem também o problema do descasamento entre o prazo do SFH (longuíssimo prazo) e o prazo do seu funding, que é a Poupança (curtíssimo prazo). Se houver uma corrida para sacar da Poupança porque a rentabilidade ficou mais baixa (por conta de mudança de regras), os bancos vão estar em maus lençóis. Ou seja, qualquer mudança precisa ser muito bem estudada.
    Abraço e parabéns pelo post.

  • ALEXANDER PRIETO

    Ótimo artigo. Se considerarmos as vantagens de desvantagens (com as citadas nos comentários anteriores), tem-se que a diferença de rentabilidade entre os TÍTULOS PÚBLICOS e a CADERNETA DE POUPANÇA não é tão grande atualmente.
    Os TÍTULOS PÚBLICOS seriam para aqueles que querem realmente ganhar algo mais (ainda que somente um pouquinho mais) e estão investindo para aposentadoria (LONG PRAZO – sem se preocupar com a maior liquidez e comodidade da CADERNETA DE POUPANÇA).
    Agora fica a minha pergunta FÁBIO: e a comparação entre os TÍTULOS, a CADERNETA e FUNDOS DE RENDA FIXA (que não tem taxa de negociação e custódia, apenas de administração e incidência de IR) – QUAL O MELHOR? (digo isso porque invisti em um fundo há 5 meses com tx de adm. de 0,80%a.a., que tem retornado um rendimento médio de 0,83% a.m.) – O QUE ACHA?

    • Fábio Portela

      Alexander,
      A maioria dos fundos de renda fixa investe em títulos do tesouro direto. Então, não faz tanta diferença assim…

      Abraços,
      Fábio

  • Marcio Hermens

    Fabio,
    Na 2ª Simulaçao, acredito que há um erro: Para o período entre 181 dias e 360 dias, a alíquota de IR é de 20% e não de 22,5%, conforme a simulação.

    Atenciosamente,

  • http://investidor-inteligente.blogspot.com/ Leandro Garcia

    Parabens pelo belo artigo!
    Realmente ja tinha a mesma ideia com respeito ao TD, mas nao assim tao detalhada.
    Fica muito claro que se desejarmos aplicar nos títulos, temos de procurar nao ter custos com custodia, corretagem barata, e estar “in” por mais de 2 anos para que o imposto nao abocanhe a fatia que faz o rendimento ser maior que a poupança…
    Tem de se pensar bastante!

    Mais uma vez parabéns!

  • Alberto

    Tenho uma dúvida a respeito do titulo.
    No exemplo citou o titulo NTN-B principal 2024 com 11,28% bruto.
    Isso significa que em somente em 2024 terei esse rendimento de 11,28%???
    Ou se eu esperar -+ dois anos e vender o titulo também terei essa % de rentabilidade?

  • victor santos

    olá!
    Desculpe minha burrice, mas não consegui entender esse rendimento de 11,28% na NTN-B principal 2024. Tenho a tabela de rendimentos do dia 17 de fevereiro salvo no meu computador e na coluna “rentabilidade bruta 12 meses” tem o valor de 18,62%.
    Alguém pode me tirar essa dúvida?
    Desde já, agradeço!

  • http://www.oguiadofimdomes.com.br Felipe Tazzo

    Sei não, Fábio, mas eu acho que eu não teria dúvida alguma, iria correndo para o Tesouro Direto em qualquer ocasião, mesmo que eu fosse totalmente enganado por uma corretora picareta.

    Veja a comparação que eu escrevi nesse artigo:

    http://oguiadofimdomes.com.br/produtos-bancarios/a-hora-de-guardar-o-dinheiro-parte-iii-tesouro-direto/

  • Rafael

    Fábio, tenho uma dúvida em relação ao tesouro. Estou no tesouro direto através do BB. Acabei de abrir uma conta no Banif. Tem como eu transferir o que eu tenho hj para o Banif?

    • Fábio Portela

      Tem sim! É só transferir a custódia.

  • Ewerton Henrique

    Fabio,
    Por que no simulador do site do tesouro, o rendimento do TD é sempre menor do que a poupança?
    Até nos casos dos títulos com validade maior de 2 anos.

  • http://www.blogdoinvestidor.com.br Ulisses Nehmi

    A estrutura de remuneração da poupança foi feita para que ela renda menos que a renda fixa. Caso contrário, o impacto no sistema financeiro terá um impacto não trivial. E como fica claro, prevalece a importância de escolher direito a corretora do Tesouro Direto: não existem muitos motivos para pagar taxa alguma.
    Recentemente postei um artigo que mostra quanto a poupança rende em relação ao CDI (levando em conta o custo do Tesouro Direto e a isenção tributária da poupança): http://www.blogdoinvestidor.com.br/investimentos/quando-vale-a-pena-investir-na-poupanca/
    Logo, um investidor racional nunca deveria optar pela poupança. De fato, em geral a escolha é consciente (ex.: quero deixar na poupança porque é mais fácil) ou simplesmente porque a pessoa ignora os aspectos de rentabilidade (seja porque não conhece alternativas como o TD, seja porque não pessoa não liga para a diferença). É uma questão de escolha.
    Abs

  • Matthaeus

    Tesouro direto é bom para investir altos valores como comprar carro. Mas para pouco valores igual 10.000 e no fim ganhar uns 70 reais a mais que poupança não compensa o esforço.

    • Fábio Portela

      Discordo: qualquer centavinho faz a diferença no final. :)

  • Andressa

    O post ficou muito bom e muito bem esclarecido. Só restou uma dúvida que é simples mas não achei uma explicação clara em lugar algum, pois pelo que percebi é tratada como uma informação óbvia. A taxa da CBLC e do agente de custódia no primeiro ano é aplicada com base no valor dos títulos (no exemplo 10.000). Mas no caso de uma aplicação de 2 anos, no 2o ano, quando essas taxas vão ser cobradas pela 2a vez, essa cobrança continua sendo sobre o valor inicial? Ou é com base no valor atual (aplicação + redimentos do ano anterior)? E ainda se for dessa segunda forma, é calculada antes ou após o desconto do IR?

  • adelson

    OLa fabio parabéns pelo post, gostaria de saber se o socopa é melhor lugar para tramitar as minhas negociaçoes com o T, obrigado

    • Fábio Portela

      Adelson, essa conclusão quem tem que alcançar é você! Estude as taxas, veja os serviços e estude os concorrentes!

      Abraços,
      Fábio